O SEGREDO DO BAIRRO MÃOS DADAS – A VERDADE – Por Marcos Aquino

Marcos Fernandes Aquino é idealizador do Bairro Mãos Dadas em Conselheiro Pena
Marcos Fernandes Aquino é idealizador do Bairro Mãos Dadas em Conselheiro Pena

Durante anos reservei para mim e compartilhei com poucas pessoas um segredo, que tornou possível comprar as terras, onde foi criado o bairro Mãos Dadas. Sem aquele fato nada do que veio a existir teria sido possível. Vou resumir a história.

Depois de meses procurando terreno para comprar, sem sucesso, as pessoas começaram a desacreditar e a sair da Associação, estávamos fadados ao fracasso. Não por nossa culpa, mas dos donos de terras, que por alguma razão, não se dispunham a vender.

Cheguei para minha mulher, que estava estendendo roupa no varal e disse: Sônia, eu não aguento mais. Vou devolver o dinheiro e encerrar o Projeto Mãos Dadas, porque quem possui terras não quer vender e sem terreno não se constrói um bairro.

Ela me respondeu: Se você já fez tudo o que era humano, coloque nas mãos de Deus e confie.

O desespero era tanto, que naquela noite ajoelhei no escuro do quarto e falei exatamente essas palavras: Deus, o Senhor me trouxe até aqui. Se é o Seu propósito que o Mãos Dadas se realize, pegue essa batata quente e resolva, porque eu vou desistir.

Não agradeci, não disse mais nada. Fui dormir.

Foi aí que o inacreditável aconteceu, e que é o segredo guardado por tanto tempo. De madrugada uma voz audível, clara como o som de alguém real falando, disse no meu ouvido direito: “Procure o Clésio Chaves”. E a força de duas mãos me tomou pelo peito e sacudiu o corpo na cama. Eu não havia sonhado, de fato escutei e fui sacudido!

Acordei assombrado com a voz ecoando a frase no ouvido (não no cérebro). Olhei para o relógio, eram 2:15min da madrugada. Os acontecimentos estão vivos na minha memória.

Chamei Sônia e falei: Eu já tenho a solução, Deus me disse agora.

Ela olhou sonolenta e respondeu, “tudo bem” e voltou a dormir. Eu fui para a mesa, fazer planos. A convicção era absoluta, embora eu já não pensasse naquela Voz.

Em frente do escritório do Clésio, que eu pouco conhecia, aguardei. Quando relatei minha necessidade de comprar um terreno para tal objetivo, me respondeu:

– “Porque você demorou tanto, estou te aguardando faz tempo”.

Olhei para aquele camarada que não tinha intimidade e de repente me dá uma resposta dessas. Pensei: O que está acontecendo?

Disse-me ele: Vamos ali que vou te mostrar uma propriedade. Chamei outros dois líderes do movimento e fomos ver a propriedade da Eufrásia Gripp. Um ótimo terreno e o valor dentro do que esperava. Mesmo desesperado para comprar um terreno, algo de mal provocou a minha natureza humana e respondi:

– Tudo aqui me agrada, inclusive essa pequena nascente d’água na entrada, mas a distância até o centro é grande e a poeira da rodovia é insuportável. Colocou-nos no seu carro e levou até depois das lagoas da propriedade dos Gripp, mostrando o terreno de uma cunhada dele, Sandra, se não estou enganado. Local maravilhoso, mas tinha um lado com erosão e muito inclinado, resisti.

Clesio: Não se preocupe, me dê um tempo, porque agora o seu problema está comigo, eu vou resolver.

Antes de voltar à cidade, parou no que hoje é a entrada para o Mãos Dadas e comentou: Está vendo aquela árvore lá em cima? Se você abrir uma estrada aqui por dentro, logo depois é a terra que te mostrei primeiro, fica mais perto e não terá poeira.

– De quem é este terreno? É do Tunico, meu cunhado.

Deixou-nos em frente ao seu escritório, despachei os outros dois e fui sozinho até Tunico, na sede da Cooperativa.  Me apresentei e fui direto ao ponto:

– Preciso daquele terreno para construir o bairro. Vai beneficiar toda a cidade e a economia.

Me fez algumas perguntas e respondeu: O terreno é da mãe. E vou adiantar, ela não vende, não precisa, ainda mais pelo preço que você oferece.

Insisti: Diga a ela que nós precisamos daquele terreno e não pode ser outro.

Concordou em levar o recado. No dia seguinte, a hora marcada, voltei para saber a resposta. De coração apertado ouvi a resposta: “Ela resolveu te vender”.

Perguntei: Por quanto? (Esperando que fosse um valor muito alto)

– Pelo preço que você propôs.

– E quanto de terra ela pode nos ceder?

– A quantidade que você quiser.

Retruquei: Ontem ela não vendia, por preço nenhum. Hoje faz tudo da maneira que precisamos. O que aconteceu?

– “Ela disse que tinha uma dívida com Deus, e achou que era hora de pagar”.

Nesta hora lembrei da Voz. De fato, Ele ou alguma entidade a Seu serviço estava atuando. Todo o caminho já havia sido traçado por Deus, muito antes de eu vir para Conselheiro Pena, concluí. Eu estava sendo um instrumento privilegiado.

Confesso, nessa hora chorei como um menino na frente dele, as lágrimas queimando o rosto. Pedi desculpas e justifiquei, a pressão era demais sobre mim, veio tudo à tona.

Diferente do que pensava, Deus estava no controle de tudo. Até pouco tempo, ainda vinham lágrimas emocionadas, quando contava para alguém o segredo.

Algumas semanas depois, estando a serviço da Funasa, numa pequena cidade após Itabira, havia viajado com uma ideia na mente, de que precisava de informação técnica a respeito de loteamento de interesse social. Na saleta que eu ocupava na Prefeitura, olhei um pequeno armário antigo, de duas portas e pensei, o que tem dentro? Ao abrir, lá estava um livreto com o título: Habitação de Interesse Social, Recomendações para elaboração. Mais uma vez Deus Se mostrou presente. O livro está comigo até hoje. Era como se dissesse: Vai, você não está sozinho.

Tempos difíceis estamos vivendo, piores estão por vir. O que cada um fará com o conhecimento da Verdade não me diz respeito. A única coisa que importa, é que senti a necessidade de contar o que aconteceu naqueles dias, porque depois deles, nunca mais questionei Deus, nem a vida. Nunca mais escutei a Voz, mas, tenho percebido Seus sinais em tudo o que vejo. Não sou santo, estou longe de servir como exemplo para outros, penso que os fatos relatados ajudarão alguns a considerar o sentido da vida, enquanto é tempo.

Eu agradeço imensamente a cada cidadão de Conselheiro Pena, que participou da sua maneira para o sucesso do Mãos Dadas, desde aqueles que somaram comigo, construindo o bairro e suas casas, passando pela família Gripp, aos ex-prefeitos Neyval e Roberto, ao ex-vereador Valtair do Vale, que sensibilizou os engenheiros Rozely, Eliane e Edcarlo, aos padres e pastores, que emprestaram a credibilidade das Igrejas para a adesão das pessoas.

Finalizo deixando essa mensagem: Não se iluda, a vida que conhecemos é só uma passagem, uma oportunidade para aperfeiçoar o que somos espiritualmente. O verdadeiro ser não é carne nem ossos. Deus, de fato, existe!

Afetuoso abraço a cada um de vocês.

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