AGOSTO – MÊS DO CACHORRO LOUCO! – Por Dr. Luis Eduardo G. Ribeiro

 

Uma das crendices populares mais difundidas aqui no Brasil é a de que agosto é o mês do cachorro louco. Apesar de ser algo sem muita explicação científica, essa ideia se propaga ano após ano; mas, afinal, de onde vem essa história?
Muitos explicam que essa lenda começou porque o mês de agosto é aquele em que as cadelas mais entram no cio, deixando os machos eufóricos – ou “loucos”, como você preferir. Por conta disso, principalmente entre os cães de rua, há um intenso coral de uivos e rituais de acasalamento, o que geraria muita briga.
Nessas pelejas, o vírus da raiva acaba se propagando com mais facilidade.
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, que acomete mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade extremamente elevada. É causada pelo Vírus do gênero Lyssavirus, da família Rabhdoviridae.
Ele pode contaminar todos os tipos de mamíferos, inclusive os humanos, e são raríssimos os casos de cura – por isso a importância de vacinar seus os animais regularmente. O vírus se instala nos nervos periféricos e depois no sistema nervoso central, antes de se alastrar para as glândulas salivares, que são as responsáveis pela transmissão entre indivíduos, através da mordida.
Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos (pródromos) da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente apresenta: mal-estar geral; pequeno aumento de temperatura; anorexia; cefaleia; náuseas; dor de garganta; entorpecimento; irritabilidade; inquietude; sensação de angústia.
Nas ruas, cadelas no cio arrastam grandes matilhas e favorecerem a contaminação pelo vírus da raiva
Ao contrário do que se pensa, não são os cães os maiores portadores da doença, também conhecida como hidrofobia: na verdade, são os morcegos os mais contaminados, mas são os gatos e cachorros que mais transmitem ao homem, devido ao convívio diário. Os primeiros sintomas costumam aparecer em até 45 dias após o contágio e podem se manifestar através de confusão mental, alucinações, convulsões, salivação excessiva, agressividade e desorientação.
O Ministério da Saúde adquire e distribui às Secretarias Estaduais de Saúde os imunobiológicos necessários para a profilaxia da raiva humana no Brasil: vacina antirrábica humana de cultivo celular, soro antirrábico humana e imunoglobulina antirrábica humana. Atualmente se recomenda duas possíveis medidas de profilaxia antirrábica humana: a pré-exposição e a pós-exposição, após avaliação profissional e se necessário.
Voltando ao mês de agosto, a explicação bastante popular é a de que condições climáticas favorecem o cio das fêmeas, mas essa informação não foi comprovada em nenhum periódico científico.
Idependente da veracidade da história, o importante é procurar uma clínica veterinária com profissional, para saber as melhores recomendações, e vacinar seu bichinho. Afinal, ninguém quer perdê-los por descuido nem colocar a própria vida e a de quem amamos em risco, não é mesmo?

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