COVID-19 E AS CRIANÇAS – Por Dra. Táina Almeida

Desde dezembro de 2019, quando foi confirmada a existência da doença na China e em fevereiro de 2020 o primeiro caso confirmado no Brasil, novas notícias e informações sobre a Doença do coronavirus 2019 (COVID-19) causada pelo coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-COV-2), não param de ser publicadas. Muito tem se falado sobre a facilidade da transmissão do vírus e a velocidade em que o mesmo se propaga. E algumas medidas tem sido implementadas e amplamente divulgadas na tentativa de controlar esta pandemia.

Apesar de ter afetado centenas de milhares de pessoas em todo o mundo, dados sobre como a doença afeta as crianças são escassos ainda.

O que já sabemos?

As publicações até o momento mostraram que as crianças representam 1-5% dos casos diagnosticados e geralmente apresentam doenças mais leves que os adultos, sendo as mortes extremamente raras (0,2%). Lembrando que no Brasil já temos mortes de crianças confirmadas pela doença. O tempo em que leva do contágio ao aparecimento de sintomas é o mesmo que em adultos, em torno de 2 a 10 dias.

O que as crianças apresentam?

A maioria são assintomáticas, mas quando apresentam sintomas, os mais frequentes são febre, tosse seca, dor de garganta, espirros, dor muscular e fadiga. Algumas crianças podem apresentar “chiado”, coriza, vômitos e diarreia.

Quais crianças tem maiores complicações?

Como em outras doenças respiratórias, as crianças mais novas, especialmente as menores de 1 ano tem maior chance de evoluírem de forma mais grave. Estes dados se referem a crianças saudáveis. Portadores de doenças crônicas como Diabetes melitus tipo 1 (não controlado), cardiopatia, asma não controlada, aumentam a chance de a criança precisar de cuidados maiores caso tenha a doença.

Pode ser transmitido para o feto durante a gestação?

Não foi confirmado a transmissão da mãe para o feto, mas orienta-se cuidado especial na gestação porque os efeitos podem ser desconhecidos ainda.

As crianças fazem parte do grupo de risco?

Sim. Nova atualização do Protocolo de Manejo Clínico da Covid-19 na Atenção Especializada, o Ministério da Saúde inclui no grupo de risco as crianças menores de cinco anos, apontando maior taxa de hospitalização entre menores de dois anos, e de mortalidade entre as que têm idade inferior a seis meses.

As crianças devem usar máscara?

Nos últimos dias foi orientado que toda a população faça o uso da máscara, de preferência a caseira, porem crianças com menos de 2 anos não devem fazer o uso da mesma, devido ao maior risco de sufocamento e a dificuldade no uso.

Diante de uma doença altamente contagiosa, mesmo que com acometimento leve na maioria das crianças, é necessário todo cuidado para evitar o contágio e transmissão, uma vez que essa ainda é a melhor forma de prevenção disponível. A principal orientação no momento é higiene respiratória, de contato e ISOLAMENTO SOCIAL para diminuirmos a infecção e transmissão e, em consequência, a sobrecarga no sistema de saúde.

Aos pais, tenham um médico da sua confiança e que conheça a criança para poder dar todo suporte, não só em caso de suspeita da COVID-19, mas nas outras patologias que continuam ocorrendo. Preserve a saúde do seu filho, mantendo o aleitamento materno, alimentação equilibrada e saudável e cuidem da saúde emocional de toda a família. Tenham calma, busquem informações seguras e sigam as recomendações dos especialistas, que estão buscando as melhores respostas e saídas de forma incessante.

  • Dra. Táina Almeida é médica pediatra- CRM 71254
  • **o texto é de inteira responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do site

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