ELES PODEM. NÓS NÃO.

Frequentemente ouço dizer: ‘Não levem a religião para a política’. É precisamente para aí que ela deve ser levada…” Essa frase de Spurgeon (o grande pregador inglês) mostra que muitos cristãos estão na contramão do que Deus espera de nós. Gente que tem um projeto de poder muito bem arquitetado disseminou ideias como: política e religião não se discutem; líderes religiosos não podem tratar de política… E por aí vai. Assim, as igrejas e líderes sérios foram se calando, com medo das críticas, ou mesmo acreditando nisso.

É interessante que tudo depende de sua posição. Se você for um cristão conservador que preza pelos valores da Bíblia, o sistema espera que você fique calado. Se você for um liberal, ou adepto da “teologia” da “libertação”, então você pode falar o que quiser. Enquanto líderes honestos são recriminados se tratarem de política na igreja, outros podem tudo. Professores doutrinam nas escolas e universidades. A história é violentada e narrativas são inventadas para defender o “progressismo”.

Universidades não são mais escolas do saber. A maioria se tornou QG de doutrinação “progressista”. A grande mídia manipula a política. A “elite cultural” faz campanha aberta. Mas, se pastores, padres, líderes, todos conservadores, se posicionam, aí o mundo desaba. “Que absurdo esses homens falarem de política na igreja”!

Abomino politicagem. Detesto a ideia de igrejas como currais eleitorais (que cada um vote conforme sua consciência cristã). Não tenho tempo para me candidatar a cargos públicos, nem vontade. A vocação pastoral já é ocupação suficiente. Mas tenho o direito e a obrigação de instruir o povo que Deus me confiou.

Não tenho que dizer em quem devem votar, mas tenho que ensinar sobre os valores do Reino e instruir para que votem em candidatos que representem os valores do Reino.

Alguns dizem que líderes religiosos não devem manifestar suas posições políticas para não influenciar o povo. Líderes são cidadãos e votam em quem
quiserem, com pleno direito de se manifestar. Púlpitos e altares não são palanques políticos e nunca devem ser. Mas, no cotidiano, votamos e podemos expressar nossas posições políticas. Se padres e pastores liberais, professores de história, sociologia, filosofia, universitários, artistas… podem manifestar seu voto, por que homens conservadores e verdadeiramente cristãos não podem? Não só podem como devem.

Moisés governou um povo (Êxodo a Deuteronômio). Davi foi rei (livros de Samuel, Reis e Crônicas). Natã confrontou o pecado do rei (2Sm 12.1-13). Isaías, Zacarias e Amós exortaram políticos (Is 10.1-2; Zc 10.2-3; Am 2.6-7). Malaquias repreendeu políticos e líderes religiosos corrompidos (Ml 2.1-9; considere que sacerdotes tinham grande poder político). João Batista condenou as atitudes de um governador corrupto e mau (Mt 14.3-4). E nós devemos continuar sendo voz profética hoje e sempre.

Não precisamos de presidentes, senadores e deputados cristãos ou evangélicos. Mas precisamos de verdadeiros cristãos vocacionados para assumirem essas posições. Não devemos encabrestar ninguém. Mas devemos propagar, divulgar, ensinar e lutar pelos valores do Reino. Se eles (“progressistas”)
podem, nós também podemos, devemos, temos a obrigação. Façamos política e fujamos de toda forma de politicagem.

– Rev. Juberto Oliveira da Rocha Júnior – Pastor da Igreja Presbiteriana Simonton – IPB

 

 

-O texto é de inteira responsabilidade do autor

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