A DIMINUIÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS – Por Valter Andrade

Valter Ferreira de Andrade – Técnico em Saneamento Ambiental / Servidor da FUNASA

Sabemos que a água é sem dúvida nenhuma, significado de vida e sabemos também que a diminuição desse importante líquido é uma triste realidade mundial, tendo em vista que muitos países vem sofrendo com a falta de água potável para abastecer suas populações.
Mesmo um país como o Brasil, considerado a caixa d’água do planeta, não está isento da escassez de água, haja visto que muitas localidades, citando como exemplo as regiões nordeste, onde implica a maioria dos municípios e sudeste, principalmente o Estado de São Paulo e Espírito Santo, que passaram por situações semelhantes pela falta de abastecimento regular nos últimos anos.
Falando de nossa região podemos citar nosso município que a vinte anos atrás praticamente desconhecia esse fenômeno, e pode-se dizer com toda certeza que era raridade encontrar uma propriedade sem água, mesmo as áreas com certo nível de dificuldade, ainda contava com o mínimo necessário para suprir as necessidades básicas.
Como era tranquilizador ver o rio doce imponente, cobrindo todas as pedras existentes em seu leito. O Rio Caratinga, obrigando moradores das margens opostas usarem balsas e caíques em respeito a sua correnteza e profundidade. O córrego João Pinto com volume invejável desaguando no rio doce. Córregos de menor porte como: José Rodrigues, Penha, Brejaúba, Cuieté, Ferrujão, Eme, Virgulina, Cerâmica e muitos outros, fazendo parte no dia a dia na vida das pessoas que habitam em suas margens.
O quadro mudou drasticamente e o que assistimos hoje são localidades que na época eram privilegiadas pela oferta generosa de água, vivendo o mesmo dilema de muitas pessoas nas mais diversas regiões, sofrendo e tendo que se adaptarem ao racionamento e obrigados a fazerem o uso de água provenientes de fontes muitas das vezes sem qualquer segurança.
Cabe aqui uma reflexão do esforço acentuado de nossa geração para transformar ao longo dos anos, grandes cursos d’água em pequenos córregos e igarapés. Transformamos pequenos cursos d’água e nascentes em simples pontos que hoje nos faz lembrar que ali um dia existiu um pequeno curso d’água e uma nascente. Penso que se fizermos o mesmo esforço para recuperar o que destruímos, ainda há tempo para deixar pelo menos esperanças para as gerações futuras.
É necessário que o poder público deixe de lado a inércia e o comodismo e comece a planejar e priorizar a recuperação dos recursos hídricos, junto aos demais segmentos da sociedade. Pois do contrário, o quadro atual que já é assustador poderá se tornar irreversível.

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