RONCO: O QUE ELE REVELA SOBRE A QUALIDADE DO SONO.
O ronco costuma ser motivo de piada entre casais e nas reuniões de família. Quem ronca frequentemente vira alvo de brincadeiras e reclamações. Mas, o ronco pode, na verdade, ser um sinal de alerta de uma doença importante: a apneia obstrutiva do sono.
O que é a apneia do sono? Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa. Em algumas pessoas, essa região se estreita ou chega a se fechar completamente por alguns segundos, impedindo a passagem do ar. Quando isso acontece, a respiração para temporariamente, o nível de oxigênio no sangue diminui e o cérebro desperta a pessoa por alguns segundos para que ela volte a respirar. Esses despertares costumam ser tão rápidos que a pessoa não percebe, mas podem acontecer dezenas de vezes por hora, impedindo que o sono seja profundo e reparador.
Sintomas que merecem atenção: O principal sintoma é a sonolência excessiva durante o dia. A pessoa passa muitas horas na cama, mas acorda como se não tivesse descansado. Outros sinais frequentes incluem: Ronco alto e frequente, pausas na respiração percebidas pelo parceiro ou por familiares, engasgos ou sensação de sufocamento durante a noite, boca seca ao acordar, dor de cabeça pela manhã, dificuldade de concentração, irritabilidade, perda de memória recente e Llvantar várias vezes durante a noite para urinar.
Faça um teste rápido: você tem risco de apneia do sono? O Questionário STOP-Bang é uma ferramenta simples e amplamente utilizada para identificar pessoas com maior risco de apneia obstrutiva do sono. Ele não confirma o diagnóstico, mas ajuda a identificar quem deve procurar uma avaliação médica.
Marque 1 ponto para cada resposta “Sim”.
Importante: mulheres, especialmente após a menopausa, podem apresentar apneia do sono mesmo com uma pontuação menor no STOP-Bang. Se você ronca, acorda cansada ou alguém observa pausas na sua respiração durante o sono, converse com seu médico, independentemente da pontuação obtida.
Por que tratar? A apneia do sono não tratada além de prejudicar a qualidade de vida, aumenta o risco de doenças com o passar dos anos. Está associada a pressão alta de difícil controle, alterações do ritmo cardíaco e maior risco cardiovascular. Pesquisas recentes também mostram relação com declínio da memória e maior risco de demência no futuro.
O que pode ser feito? O primeiro passo é procurar o médico otorrinolaringologista, que avaliará a via aérea e a necessidade de exames. O principal exame é a polissonografia, que pode ser feita em casa e analisa a respiração e o sono durante a noite. O tratamento varia conforme o caso: perda de peso, mudanças de posição ao dormir, aparelhos orais e, quando indicado, o CPAP — um equipamento que mantém a garganta aberta durante o sono.
Quando procurar ajuda? Se você ronca com frequência, acorda cansado, sente sono durante o dia ou alguém já comentou que sua respiração para enquanto você dorme, vale a pena fazer uma avaliação. Dormir bem não significa apenas dormir muitas horas. Significa respirar bem durante toda a noite. Cuidar do sono é investir na saúde, na disposição e na qualidade de vida por muitos anos.
Dra. Lília Gama de Pinho – CRM: 74942/MG
Especialidades/Áreas de Atuação:
OTORRINOLARINGOLOGIA – RQE Nº: 53812
-O texto é de inteira responsabilidade da autora

