DOENÇAS DIAGNOSTICADAS POR DENTISTAS – Por Dra. Fátima Zambon

dra. Maria de Fátima Zambom Souza – Cirurgiã Dentista – Especialista em Odontopediatria

Uma visita ao dentista pode revelar problemas desagradáveis como cáries e tártaro. Mas o que você não sabe é que doenças graves como cirrose, bulimia e até a Aids também podem ser detectadas por um dentista. Essas enfermidades costumam ser difíceis de ser identificadas sem visitas periódicas a um médico, mas podem ser descobertas “por acaso” durante um atendimento odontológico.
A possibilidade desses diagnósticos existe porque algumas doenças apresentam sintomas na cavidade bucal. O organismo é um todo indivisível e qualquer comprometimento de uma parte do corpo pode ter relação com as demais. Mais de 200 enfermidades podem atingir a boca, sendo algumas delas próprias da região, enquanto outras apresentam apenas manifestações – é o caso de doenças sistêmicas como a Aids, diabetes, câncer, bulimia, cirrose, infarto do miocárdio, entre muitas outras. O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento.
Por esse motivo, dentistas e médicos terem conhecimento em ambas as áreas, de odontologia e medicina, já que a medida poderia evitar muitos erros clínicos por parte desses profissionais.
A visita periódica ao consultório odontológico é importante para evitar que as doenças sistêmicas passem despercebidas e alcancem estágios perigosos: O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento.
Conhecer a vida, os hábitos e o histórico médico dos pacientes é primordial antes de iniciar um tratamento dental. Atualmente, o dentista e o médico tentam disponibilizar o máximo de informações conjuntas para o paciente para que essas doenças possam ser descobertas.
“Aids”
Como a doença afeta o sistema imunológico, alguns sinais ou lesões são produzidos na boca por bactérias, fungos e vírus, como inflamações na gengiva, esbranquiçamento nas laterais da língua, e ferimentos na mucosa interna das bochechas, da língua, da gengiva, das amígdalas e dos lábios.
Bulimia
É comum o bulímico provocar o vômito intencionalmente para esvaziar o estômago. Esse procedimento traz o ácido clorídrico do estômago para a boca, causando destruição dos tecidos dentários e produzindo lesões na mucosa. Várias outras alterações podem ser observadas, como a incidência de cáries, bruxismo (ranger dos dentes), hipersensibilidade dentinária e alterações do fluxo salivar.
Câncer
Vários tipos de tumores malignos podem ter manifestações na boca, dentre os quais destacam-se a leucemia e o linfoma, que produzem o aumento do tamanho das gengivas, acompanhado de lesões (como verrugas, típicas do HPV bucal, que pode desencadear o tumor). O paciente com câncer também pode sentir dores ao receber uma fraca batida no dente.
Cirrose hepática
Podem surgir lesões na boca como bolhas, erosões e placas. O céu de boca e a região embaixo da língua ficam pálidas. Outra manifestação que o dentista pode detectar é a forte halitose, conhecida como odor hepático.
Diabetes
Não há lesões orais específicas que possam induzir o dentista a suspeitar de diabetes, a não ser o hálito cetônico característico da doença (com cheiro similar ao de frutas envelhecidas). Ele surge devido a pouca disponibilidade de glicose como fonte energética. Isso leva o organismo a queimar gorduras para compensar, o que produz o cheiro.
Infarto do miocárdio
Não apresenta lesões nem sintomas no âmbito da cavidade oral, porém, tem como um dos indícios uma dor irradiada na mandíbula, que pode levar o paciente a procurar o dentista, confundindo-a com dor de dente. É importante o diagnóstico diferencial: se o dentista não encontrar uma causa compatível com a queixa ou, caso encontre, a dor não cessar com uma anestesia, então é bom encaminhar o paciente a um pronto socorro cardiológico. Ele pode estar na fase de pré-infarto.

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