SANEAMENTO BÁSICO – Por Valter Ferreira de Andrade*

Mais uma década se finda e os números do saneamento básico ficaram praticamente estagnados, sobressaindo apenas em casos isolados onde a evolução dos serviços não conseguiu atingir a maioria dos municípios. Com isso as metas previstas pelo governo mais uma vez se distanciaram da população, deixando um rastro sujo causado pelos esgotos que continuam escorrendo a céu aberto, toneladas de lixo sem destinação adequada e mais de 35 milhões de pessoas sem acesso a água potável.
O fiel retrato dessa infeliz situação é claro nas estatísticas do próprio governo, onde apontam a morte de aproximadamente 8.000 (oito mil) crianças ao ano no Brasil. Somente nas regiões mais pobres do nordeste, são mais de 400 mil internações hospitalares ao ano pela simples falta de água potável e coleta de esgoto sanitário. Só ressaltando que as piores condições de saneamento básico estão concentradas na região nordeste do país. São dados absurdos e típicos de países que ainda não demonstraram vontade política para encarar de frente esse desafio e minimizar o sofrimento da população.
Já se encontra em fase adiantada para a próxima década “o novo marco regulatório do saneamento básico”, acompanhado de vários pontos que chamam atenção pelo que se espera a muitos anos de mudanças que venham favorecer principalmente as pessoas que não contam com os serviços adequados de saneamento, corrigindo desta forma a injustiça social que assola mais de 100 milhões de brasileiros.
O fato é que o novo marco prevê metas para a universalização do saneamento básico até 2033, tendo como objetivo atingir 99% das pessoas com abastecimento de água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
A mudança dada como certa vem envolvida em muitas polêmicas, pois um lado é contrário a privatização dos serviços de saneamento, considerando que a iniciativa privada trabalha em cima de altos lucros e com aumento elevado de tarifas, pode acarretar no distanciamento das pessoas de menor poder aquisitivo ao acesso a esses serviços. Outros defendem a entrada da iniciativa privada como a única forma de atingir a tão sonhada meta de universalização do saneamento básico.
Uma coisa é certa, o novo modelo está lançado pelo governo e aprovado pelo congresso nacional. O que se espera agora das autoridades políticas é que essa não seja apenas mais uma Lei para enfeitar os gabinetes da união, estados e municípios. Lembrando que em quase 40 anos os investimentos em saneamento básico ficaram praticamente adormecidos, ficando a população só nos planos e nas promessas. Por isso não podemos deixar de estar sempre falando… São mais de 100 milhões de pessoas convivendo com esgoto a céu aberto, milhares de pessoas revirando lixões e mais de 35 milhões de pessoas sem água tratada. “SANEAMENTO É SAÚDE, É QUALIDADE DE VIDA.”

* Sanitarista e servidor da FUNASA

**o texto é de inteira responsabilidade do seu autor e não representa necessariamente a opinião do site.

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Um comentário em “SANEAMENTO BÁSICO – Por Valter Ferreira de Andrade*

  • 10 de janeiro de 2020 em 10:39
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    Valter um exemplo de ser humano e de profissionalismo. O melhor diretor que o SAAE já teve. Sabe muito. Deveria voltar pro saae pq lá tá uma bagunça. Obrigada Valter

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