USO DE POLIVITAMÍNICOS – Por Dra. Táina Almeida

Sempre recebo no consultório mães atrás de uma vitamina porque o filho não come ou principalmente nesse inicio do ano quando as crianças retornam para escola, a procura é por uma vitamina que melhore a imunidade. “Pelo menos uma vitamina C para evitar de gripar doutora?”.
Essa é uma ideia difundida na nossa sociedade, mas que de cientifico não tem nada. Fiz uma vasta busca na literatura e não encontrei embasamento para a prescrição indiscriminada dos polivitamínicos. A Sociedade Brasileira de Pediatria não indica para bebes que nasceram de peso normal e são saudáveis.
As crianças passam por uma fase onde diminuem muito o apetite. O bebe quando nasce, está em pleno desenvolvimento e vai ganhar algumas gramas a cada dia, com o avançar do tempo esse ritmo vai caindo e a partir dos 2 anos diminui muito. Então a criança não tem aquela demanda de “comer muito “e as expectativas dos pais acabam sendo irreais. Precisamos preocupar mais com a qualidade do que essa criança está comendo (são alimentos saudáveis?) do que com a quantidade.
E a famosa vitamina C para aumentar a imunidade? Não tem evidência cientifica. Para manter a imunidade do seu filho é necessário desenvolver desde sempre hábitos saudáveis de vida, alimentação saudável sem excesso de açucares, frituras e industrializados, atividade física regular, boas noites de sono (expectativas reais de acordo com a idade da criança).
Mesmo com toda evidência acumulada muitas vezes parece missão impossível explicar que as gotinhas não fazem milagre. Mas o que vejo é que a propaganda continua mais forte que a razão, e até mesmo para médicos, que continuam prescrevendo esses suplementos para evitar resfriados ou para criança comer melhor. Vitaminas não são tão inócuas como parece, em doses excessivas elas também podem fazer mal. Cuidado com o que seus filhos andam tomando, converse sempre com um médico capacitado no assunto.

Dr. Táina Almeida – é médica pediatra em Conselheiro Pena

* Os texto é de inteira responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do jornal

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