CAÇADORES DE RECOMPENSAS.
Há muitas narrações elaboradas, que alimentam fatos e sentimentos imaginários, que faz com que a pessoa se torne alienada, não consegue distinguir o que é realidade ou ficção. Por necessidade de pertencimento, a pessoa se torna dissimulada, fingida e cínica. Se perguntar, eles negam, dizem que não é bem assim, mas é isso que os religiosos sempre fizeram e fazem, usam da religião para dizerem que estão servindo a Deus e fazendo assim acontecer o Reino de Deus.
Na religião, o Reino de Deus é o Templo. Posso ser justo, honesto e fraterno, más se eu não freqüentar o Templo, não ser obediente às doutrinas, dogmas e sacramentos, logo sou considerado pagão, ateu, desviado, herege e sem Deus, para se libertar desse fardo é preciso um mínimo de conhecimento dos textos bíblicos em hebraico, aramaico, grego e confronta–los com as traduções em português.
Não por acaso, todas as vezes que mim aproximo, leio de forma orante, faço uma reflexão de textos Bíblicos, me sinto constrangido por não viver essa Palavra como deveria; enquanto a grande maioria está tranquila e convencida de que somente pelo fato de participarem de um agrupamento, obedecer ao Sinédrio religioso representado na pessoa de seus líderes, já estão fazendo acontecer o Reino de Deus. Assim se sentem justificados de todos os seus pecados e dispensados de qualquer compromisso com a verdade, com a justiça e com a realidade e pior, se sentem reguladores do Reino e da Salvação.
Isso começou em Israel, a partir do quarto século, onde esse movimento foi se estabelecendo e se tornou a religião oficializada e institucionalizada, espalhou pelo mundo, e onde foi se estabelecendo, aconteceu a mesma coisa.
É bom lembrar que, religião é o homem, segundo suas ambições e a seu modo, buscando pelo transcendente, do eterno, de Deus, enquanto Jesus, a Palavra Viva, é Deus em busca do homem. Houve uma inversão do processo.
Esse movimento sustentado pelo nome de Jesus foi batizado como cristianismo, porém Jesus não tem nada a ver com isso. Para ser de Jesus é preciso ser discípulo, ter identidade, humildade, pobreza de espírito, renunciar a si mesmo, abrir mão das próprias seguranças e viver pela fé na providência divina; é ter a ação coerente com o que se fala.
Cristão segundo Jesus, não aprova pena de morte; não aprova armamento; não aprova ditadura; não é homofóbico; não discrimina, não é intolerante; quem vive segundo Jesus, não tem discurso de ódio, não é agressivo. Ser Cristão, é não tendo nada, oferecer a si mesmo em favor do outro, é ser capaz de perdoar, lembrando que perdoar não é esquecer, perdoar é não usar o mal como forma de vingança, qualquer coisa diferente disso é religião. O Apóstolo Paulo diz que sempre que alguém viver a piedade do Evangelho, este será perseguido. Jesus diz que feliz quem for odiado, expulso, insultado, perseguido por causa do Filho do Homem! Regozijai – vos, pois grande será vossa recompensa no céu.
– Por uma sociedade sem males –
José Nilson Rodrigues – Diácono da Igreja Católica.
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