A DIETA DA MODA GLÚTEN-FREE POLEMICA RELEVANTE – Por Maria Alves*

Mas afinal o que é o glúten, você sabe? O glúten é uma substância composta pelos grupos de proteínas: gliadina e glutenina, sendo encontradas em grãos de trigo, cevada e centeio. A combinação dessas proteínas contribui para que os alimentos mantenham seu formato e para que possam criar uma massa visco elástica, melhorando a textura, elasticidade, coesão, viscosidade, sabor e retenção de umidade do produto. O glúten está presente em muitos alimentos, como o trigo e seus derivados por isso existem uma alta prevalência do consumo desse composto.
Por tanto, existem indivíduos que são orientados a não ingerir alimentos com glúten, dada a incapacidade de absorção do nutriente. A essa incapacidade ou dificuldade de digestão dá-se o nome de doença celíaca. A forma clássica da DC manifesta-se nos primeiros anos de vida, tendo como principais sintomas a diarreia crônica, vômitos, irritabilidade, anorexia, déficit de crescimento, distensão abdominal, diminuição do tecido celular subcutâneo e atrofia da musculatura glútea.
Atualmente, o tratamento médico mais eficaz para os portadores da DC é a redução e até mesmo a exclusão de alimentos e produtos que contenham glúten. No entanto, a carência de informações sobre a qualidade nutricional desses produtos ressalta para a necessidade de pesquisas sobre o tema. Nesse sentido, a Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003, determinou que os fornecedores de alimentos industrializados devessem exibir em seus rótulos e embalagens, a expressão “contém glúten” (CG) ou “não contém glúten” (NCG), de forma clara e precisa, para assim auxiliar o consumidor a realizar escolhas alimentares mais conscientes.
Cabe ressaltar, que apesar da dieta livre de glúten ser recomendada apenas para indivíduos sensíveis ao glúten, pessoas não portadoras da DC têm se tornado adeptas a esse tipo de dieta. Inclusive muitos consumidores a reputam como mais saudável, menos calórica e mais satisfatória para a perda de peso. Assim, parte da população, objetivando ter uma alimentação saudável, ou alcançar resultados de emagrecimento de forma mais rápida, tem substituído os produtos com glúten por produtos sem glúten.
Todavia, é importante frisar que não existem evidências científicas de que a isenção do glúten na dieta de indivíduos sem disfunção relacionada à DC possa apresentar alguma vantagem nutricional, promover a perda de peso ou melhorar o estado geral de saúde. Isso, porque muitos produtos podem apresentar altos teores de gordura trans, saturada, sódio e açúcar, fazendo com que, o perfil da dieta com a exclusão do glúten, seja carente em minerais como, magnésio, zinco, proteínas e fibras tendo quantidade elevada de lipídios e gorduras desencadeando consequências clínicas, físicas, emocionais e psicológicas.
O assunto e polemica e gera muitas criticas sobre a onda da exclusão do trigo da alimentação, para perca de peso. Alerta: o vilão não é o glúten, mas o que vem junto dele, ou seja, a culpa dos quilinhos a mais na balança não é do trigo e sim, do excesso de carboidrato consumido. “Não é a ausência do glúten“ que proporciona a perda de peso. O segredo esta no equilíbrio das porções. Retirar o glúten só indicação e recomendação de um profissional capacitado, ou seja, quando o individuo possui diagnóstico comprovado da DC. Por tanto, antes de se aventurar em um esquema alimentar não usual, o ideal é procurar ajuda de um nutricionista para obter orientações realmente seguras e eficazes para a segurança de sua saúde. Que seu remédio seja o seu alimento Que seu alimento seja remédio (Sócrates)

  • Nutricionista
  • ** o texto é de inteira responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do site
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